As colunas [sem surround]

10.25.2005

# 14

Machine Head, Burn My Eyes [Roadrunner, 1994]

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Davidian / Old / A Thousand Lies / None But My Own / The Rage To Overcome / Death Church / A Nation on Fire / Blood For Blood / I'm Your God Now / Real Eyes, Realize, Real Lies / Block

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Burn My Eyes foi, juntamente com Demanufacture dos Fear Factory [conferir este post] e Roots dos Sepultura, um dos grandes álbuns na área do metal nos anos 90. À semelhança dos Fear Factory e dos Sepultura, após este magnífico disco os Machine Head enveredaram por trajectórias erráticas e nunca mais lançaram nada à sua altura.
Este disco andou comigo numa cassete, com Demanufacture do outro lado, em numerosas viagens de comboio ao longo de 1995 [antes dos leitores de mp3 havia umas coisas chamadas walkman..] e ainda hoje, ao voltar a ouvir Burn My Eyes me impressiona o poder e complexidade deste álbum de estreia. A precisão dos riffs de guitarra, o balanço irresístivel da secção rítmica e a raiva incontida das vocalizações fazem de Burn My Eyes uma peça irrepetível e indispensável em qualquer discografia especializada em Heavy Metal [mas não só]. Com este álbum , os Machine Head reunem o melhor do que havia ficado para trás na história do metal [do Hard Rock dos anos 70 ao Death de finais dos anos 80, princípios dos 90] e contribuiram para que um estilo habitualmente conservador desse uns quantos passos em frente.

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[Texto recuperado do post sobre The Downward Spiral dos Nine Inch Nails] Em 1994 eu abandonava a Figueira da Foz [onde regressaria profissionalmente alguns anos depois] e rumava a Mortágua [um verdadeira cú de Judas no distrito de Viseu, permanentemente coberto de nevoeiro]. O cavaquismo entrara já na sua fase de decadência, longe que iam já os anos de euforia que, aliás, nunca partilhei ou compreendi sem que o professor tivesse conseguido criar o tal "novo homem português" que os seus ideólogos haviam idealizado. Lá por fora, a Europa de Leste - especialmente a ex-Jugoslávia - vivia em convulsão; no último trimestre do ano os primeiros passageiros atravessam o Canal da Mancha pelo tunel que liga a França à Inglaterra; na África do Sul Nelson Mandela tomava posse como o primeiro presidente negro; Kurt Cobain, ídolo da época e suposto porta-voz de de uma geração punha fim à vida; o Brasil [e algum mundo] chorava a morte de Ayrton Senna em pleno Grande Prémio de San Marino mas no Verão o país sambava pela conquista de mais um Campeonato do Mundo de Futebol; nos Estados Unidos tinha lugar uma das primeiras telenovelas da vida real com o assassinato de Nicole Brown Simpson e Ronald Goldman às mãos de O.J. Simpson [antiga vedeta do futebol americano e actor falhado]. Nesse ano foram lançados álbuns de gente tão diversa como Aphex Twin, Autechre, Beck, Beastie Boys, Dinosaur Jr, Machine Head ou Stereolab mas isso é conversa para outros posts [série Ano de Colheita].