As colunas [sem surround]

7.26.2005

# 8

The Young Gods, The Young Gods [LD Records, 1987]

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Nous De La Lune / Jusqu'au But / A Ciel Ouvert / Jimmy / Fais La Mouette / Percussione / Feu / Did You Miss Me / Toi Du Monde / The Irrtum Boys / Envoyé / Soul Idiot / C.S.C.L.D.

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Faltam-me palavras para descrever a minha relação com os Young Gods. Dizer que são um grande banda é pouco. Acrescentar que em 1987 foram revolucionários ainda não é suficiente. Com o homónimo álbum de estreia os Young Gods provaram que não era preciso utilizar guitarras [reais] para fazer um grande, imenso, álbum de rock. Sim, de rock. Mais do que uma banda electrónica [ou industrial como erroneamente já os vi serem classificados], os Young Gods são uma banda de rock. Sem guitarras, ainda que elas surjam frequentemente na sua música através de samplers. Escutem-se os riffs poderosos de Jimmy ou Envoyé para o confirmar. Sendo, na realidade, um álbum de rock, The Young Gods é mais do que apenas rock e foi a partir deste disco que eu me rendi à música electrónica [com a qual tinha, até então, tido apenas alguns flirts].
Após The Young Gods, acompanhei de perto a carreira destes suiços em disco e em concerto. Exceptuando TV Sky [um álbum menor, um equívoco talvez, na sua discografia] não há álbum pelo qual não me tenha apaixonado: L'Eau Rouge [provavelmente o seu melhor trabalho com "clássicos" como Charlotte, o magnífico Longue Route, o meu favorito pessoal L'Amourir ou Pas Mal], Play Kurt Weil [álbum de versões do compositor alemão, "parceiro" de Bertold Brecht], Only Heaven e o seu "irmão gémeo" Heaven Deconstruction, o psicadélico Second Nature ou o mais ambiental Music For Artificial Clouds. Perdi a conta aos concertos que vi dos Young Gods mas recordo o primeiro, fabuloso, em Coimbra [na Broadway!] onde não estariam mais de cinco dezenas de pessoas. Depois disso vi-os quase sempre que vieram a Portugal [apenas me tenho recusado a vê-los em Queimas das Fitas ou Semanas Académicas].

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1987. No ano da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva, eu concluia o 12º ano e rumava a Coimbra por onde ficaria até 1992, com uma mudança de curso pelo meio. Pelo mundo, Klaus Barbie era julgado em Lyon por crimes de guerra cometidos na Segunda Guerra Mundial e outro criminoso nazi, Rudolf Hess, enforcava-se na prisão de Spandau; o alemão Mathias Rust aterrava um Cessna na Praça Vermelha de Moscovo, invadindo o espaço aéreo da então União Soviética sem ser interceptado pela defesa aérea soviética; começava a escavar-se o Tunel da Mancha entre a França e a Inglaterra e no Médio Oriente começava a primeira Intifidada. 1987 foi ainda o ano dos filmes Full Metal Jacket de Stanley Kubrick e The Last Emperor de Bernardo Bertolucci e dos discos Kiss Me Kiss Me Kiss Me dos The Cure [talvez o seu último disco decente...], Introduce Yourself dos Faith No More [ainda longe do brilhantismo de edições subsequentes], Cleanse, Fold & Manipulate dos industriais Skinny Puppy ou Warehouse: Songs and Stories dos Hüsker Dü [um álbum que ainda por aqui há-de passar].